Um degrau

“São muitos os benefícios de subir e descer escadas regularmente: deixa o sistema musculoesquelético mais forte, melhora a aptidão cardiovascular e reduz o risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral, câncer, diabetes tipo 2 e obesidade. Por promover a perda de peso e a tonificação dos músculos, o uso de escadas é visto como uma ferramenta fundamental, assim como a caminhada, na luta contra a obesidade. Descer escadas é um bom exercício de equilíbrio e coordenação; muito útil para pessoas na terceira idade.”

Hoje estava saindo da estação do metrô Largo do Machado quando me deparei com as duas escadas: a rolante e a escada tradicional. Enquanto calculava a quantidade de degraus da escada tradicional, escutei um jovem falar “Não subo esta escada nem a pau!”

Resolvi subir pela escada tradicional e, ao invés de contar a quantidade de degraus, contava somente o primeiro. Assim, a cada degrau, eu contava “Um degrau!”Em pouco menos de dois minutos não havia mais degraus e fui presenteado pela visão do Largo do Machado banhado pelo esplendor dos raios solares. Caminhei até o número 29 e me dirigi à escada que leva até o Piso 2. Esta eu já contei e são 30 degraus, mas resolvi seguir o método anterior e fui contando “Um degrau”.Quando percebi já estava na cafeteria. Depois caminhei pelos corredores iluminados e conversei com lojistas. Estava de bom humor, talvez pelo exercício, talvez pela conquista de reduzir todos os degraus a apenas um degrau.

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Na vida cotidiana, é um privilégio poder contemplar pequenos fenômenos ao nosso redor, o tempo todo. Devem ter ocorrido outros mais, talvez um pássaro voando sobre minha cabeça, uma mãe que ajudava um filho, um motorista que fez uma gentileza a um pedestre, um pedestre que escolheu atravessar sobre a faixa de segurança…

Sobre tudo de negativo que talvez você tenha imaginado no mesmo quadro, eu escolhi te contar tudo de positivo que também existe no mesmo quadro. Não foi difícil, afinal, é apenas um degrau!

“Vintage”, o resgate de um estilo de vida!

Estava no shopping e verificando as etiquetas das roupas verifiquei – “made in China”.  Roupa após roupa, etiqueta após etiqueta verifiquei – “made in China”.

Continuei a busca naquela grande magazine e achei! – “Made in RPC”(República Popular da China)

Fiquei imaginando toda a logística para aquelas toneladas de roupa, sua confecção, sua distribuição e a mão de obra que trabalhou neste processo.

Enquanto isto em Ipanema, nosso colaborador me telefona comentando:

– Só a padaria está aberta!

– Hoje é domingo.

– Cara, tu não está entendendo, as lojas tem placas de aluga-se. As lojas estão todas fechando. Isto aqui está um deserto. Não tem nem cachorro tem na rua.

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Já em casa, lendo um texto sobre como viviam as pessoas  em meados do século XX e percebi que as pessoas se sentiam mais seguras. Não pelo fato de não existir furtos e roubos, se sentiam mais seguras porque conheciam os vizinhos, conheciam o padeiro, o açougueiro, o marceneiro, a costureira, a cozinheira e o leiteiro.

– Este leite é fresco?  Eu quero a carne em bife!   Não, este não. Eu quero o pão mais “pretinho”.

Todos estes cuidados que a dona de casa (especialista em logística, compras e estoque) tinha com os produtos que levava para casa, certamente o pequeno comerciante tinha com os seus fornecedores. Não poderia comprar um produto de qualidade inferior porque sabia que “seus clientes-amigos” não comprariam.

 

vintage-cash-registerAs pessoas caminham mais, supriam suas necessidades próximo de casa e tinham uma sensação de estar sempre acompanhada. Desde a vizinha que perguntava para onde ia  até  o porteiro do colégios das crianças. No caminho sempre havia conhecidos.

Quando o comércio “vai bem” o “bairro vai bem”. O dinheiro circula, os impostos são utilizados na região e as necessidades são supridas.

Sou “vintage” e você?

 

Largo do Machado, 29